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24/03/2009
A discussão das conseqüências do uso de energia deve ser prioritária
 

A produção de energia costuma resultar em grandes alterações na natureza e em situações de risco para a sociedade. Arsênio Oswaldo Sevá Filho, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp foi o responsável por esse tema no curso de Jornalismo Científico voltado à Energia, oferecido pelo Labjor em parceria com a CPFL. Sevá Filho, além de pesquisador e professor, tem participado de diversas campanhas e mobilizações questionando os problemas ambientais da produção e uso de combustíveis e de eletricidade. Em entrevista concedida aos alunos do curso, Sevá Filho falou dos problemas ambientais no país, relativos à produção e ao uso de energia. As questões foram formuladas pelos jornalistas que assistiram às aulas ministradas no Labjor, e consultaram o material de pesquisa do professor, que está disponível para os interessados na página da faculdade de Engenharia Mecânica.

Conciência – As termelétricas são uma das apostas do plano energético brasileiro, porém, o senhor já disse que elas são prejudiciais ao meio ambiente. Qual a melhor solução para geração de energia elétrica localizada?

Arsênio Osvaldo Sevá Filho – É errado discutir os problemas que os usuários de energia elétrica terão no futuro apenas pelo lado da oferta, pelo aumento da capacidade de geração. Essa discussão é imposta à opinião pública, até mesmo à academia, pelo lobby ofertista, do setor que constrói barragens, das termelétricas e das nucleares. Se você me pergunta exclusivamente do ponto de vista ambiental, eu digo que a melhor energia elétrica é a que já está em funcionamento. Ou seja, temos que cuidar de nossas represas e rios para que nosso parque hidrelétrico continue operando, temos que investir criteriosamente no sistema de transmissão e distribuição e, principalmente, na redução dos índices de consumo de energia elétrica. Não estou defendendo que ninguém seja obrigado a apagar as luzes em casa, como há três anos atrás, estou falando da redução específica, que cada tonelada de aço gaste menos KWH para ser fabricado, cada metro quadrado de shopping gaste menos ar condicionado.

Do ponto de vista do quê está instalado hoje e do crescimento nos próximos anos, parece que de fato sobra energia. Um pouco antes de sair da presidência da Eletrobrás, o professor Luis Pinguelli Rosa afirmou várias vezes, e ninguém desmentiu, que sobravam 7.000 MW no sistema. Estamos entrando com 1.500 a 2.000 MW novos por ano no sistema, portanto, do ponto de vista de energia e meio ambiente, a própria pergunta tem que ser diferente: para o quê temos, quais os melhores usos? Como gastar menos? Como poluir e destruir menos?

Conciência – Por que há tanta resistência às termelétricas?

Sevá Filho - Não é que exista resistência, mas aonde elas funcionam, a população, a vizinhança reclama muito. Isso vale para Tubarão (SC), Bagé (RS), Charqueada (RS) e para Santa Cruz (RJ). Os projetos de novas termelétricas despertaram resistências em alguns lugares no Brasil e não em outros, portanto, seria preciso fazer uma análise envolvendo sociólogos e pesquisadores para entender o que acontece com as empresas e com a opinião pública nesses casos. Em Araucária (PR), por exemplo, houve, em 1999, um projeto de uma termelétrica a gás natural. Era de uma empresa americana, a El Paso, que rapidamente fez um estudo de impacto ambiental e em poucos meses teve o projeto aprovado. A empresa construiu a usina, que começou a operar, e a população só percebeu que ela existia quando surgiram problemas na operação.

Um ano e pouco depois, surgiu um outro projeto chamado Cofepar (que era a sigla para Conversora de Fertilizantes e Energia do Paraná), completamente absurdo e mal intencionado, de uma usina tipo “piche – elétrica” , com recuperação de gases num equipamento que iria neutralizar os gases de enxofre e produzir sulfato de amônia, um precursor dos fertilizantes agrícolas. Mas o projeto não passou da audiência pública. Até conseguiu a licença ambiental mas, poucos meses depois, os empreendedores desistiram. Todo mundo da cidade de Araucária estava contra. Numa cidade de 50 mil habitantes, 25 mil participaram de um abaixo assinado. O padre estava contra, o pastor, as comunidades dos ucranianos, poloneses, italianos, a maior parte dos vereadores. Eles já tinham engolido um projeto sem querer, o da usina a gás, de 400 MW. O segundo projeto iria também captar água no reservatório do rio Verde, (como fazem a Petrobras e a usina a gás), que a única represa com água limpa na região metropolitana de Curitiba. Aí não teve jeito. As pessoas ficaram contra mesmo.

Em São Paulo, a resistência foi devido ao uso de água mas também ao acréscimo de poluição atmosférica. A maior termelétrica existente era a de Piratininga, com capacidade em torno de 600 MW. As empresas chegaram anunciando projetos de 800 MW, 1000 MW, projetos que em termos internacionais seriam considerados de grande porte. Propuseram usinas que emitiram um volume de poluição atmosférica desconhecido; pior, tentaram nos enganar, fazendo contas do tipo desligar a usina velha Carioba I e “trocar” pelo projeto Carioba II. Enganar de uma forma grosseira, porque Carioba I tem 30 MW e a segunda teria 1.200 MW.

Esse tipo de postura, mais a questão do uso da água, propiciou uma espécie de pauta básica de resistência nos vários casos: Jundiaí, Paul~inia, Americana, Santa Branca, Cubatão... Mas não acredito que as térmicas não tenham sido construídas por causa da resistência. Ela foi muito importante como movimento social e para nós pesquisadores, que tivemos que estudar muito. Não fizeram por outros motivos: quais seriam? A Carioba-II chegou a obter a Licença ambiental prévia, o projeto em Cubatão (CCBS) também, mas depois de três anos, reduziram de 960 MW para uns 90 MW, que era o que a refinaria da Petrobras precisava. Mas é preciso ter em mente que problemas ambientais, todos os tipos de geração de energia apresentam. Nenhuma tecnologia é isenta de riscos, nenhuma tecnologia é limpa,
nenhuma energia é de fato renovável.

Prof. Arsênio Osvaldo Sevá Filho
www.comciencia.br/entrevistas/2004/12/entrevista2.htm

 















     
 
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